Brasil até 2100 - Relatório do clima da ONU



O Brasil até 2100: O que o relatório do clima da ONU prevê para o país

O Brasil, um país que depende do regime de chuvas para as hidrelétricas e da estabilidade do clima para a agricultura, enfrentará mudanças climáticas desafiadoras nas próximas décadas. São essas as conclusões prévias das projeções do Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC).

Os modelos de computador que tentam antecipar alterações do clima até 2100 preveem aumentos de temperatura superiores a 5 graus célsius na Amazônia e 3 na Caatinga, com redução de chuva de até 40%. O semiárido nordestino corre o risco de ficar ainda mais seco. Parte do Cerrado, no Centro-Oeste, poderá sofrer desertificação. A Amazônia está ameaçada de savanização, com secas extremas, como dos anos de 2005 e 2010. No Sul, o aquecimento médio de até 3 graus pode trazer mais água. Para a Região Sudeste, o resultado pode ser a maior ocorrência de eventos extremos, como temporais em áreas já suscetíveis a enchentes, caso de Rio de Janeiro e São Paulo.

Estamos mal preparados para essas mudanças. Para atender à demanda interna e externa até 2040, o país precisará aumentar em 70% a produção global de comida até 2040, diz Marcos Buckeridge, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do IPCC. “Um aumento de temperatura de 4 graus impediria o Brasil de se sustentar como uma potência agrícola.” A Embrapa pesquisa variedades de café, soja, feijão, milho e cana-de-açúcar que resistam melhor à seca e ao calor. Esse tipo de adaptação será importante para garantir a riqueza de nossas safras.

Relatório do clima da ONU prevê para o país

Região Centro-Oeste
Aumento da temperatura, com impactos na agricultura, biodiversidade do Pantanal e Cerrado. Diminuição das chuvas na região.

Região Nordeste
Região semi-árida com tendência a se tornar árida e risco de sofrer severa desertificação. Impactos na agricultura e na biodiversidade da Caatinga.

Desertificação é o processo de modificação ambiental ou climática que leva à formação de uma paisagem árida ou de um deserto propriamente dito.

Região Norte
Redução no volume das chuvas. Alterações na biodiversidade e no nível dos rios que vão ficar mais baixas. Tendência ao desaparecimento de 50% da Floresta Amazônica (savanização).

Savanização é o processo de transformação de uma vegetação natural, como uma floresta Amazônica, tropical ou equatorial, em uma área cuja paisagem assemelha-se à das savanas africanas ou à do cerrado brasileiro, com um campo ralo, árvores espaçadas e uma menor quantidade de folhas.

Região Sudeste
Maior frequência de eventos extremos, como temporais e estiagens. Impactos na agricultura, saúde e geração de energia, além de enchentes e deslizamentos nas grandes cidades.

Região Sul
A altas temperatura traz o aumento de eventos extremos de chuvas, ventos fortes (ciclones tropicais) e calor. Impactos na agricultura e geração de energia.

Zona Costeira
Morte de corais pelo excesso de gás carbono na água do mar, isso afeta a reprodução de peixes de importância comercial e alimentar. Possível elevação do nível do mar.

Meio Ambiente - OpenBrasil.org

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