MEIO AMBIENTE

Islândia declara "morte" de geleira de 700 anos



A Islândia inaugurou dia 18 de agosto de 2019 uma placa de bronze em homenagem à Okjökull, a primeira geleira do país declarada morta como consequência da mudança climática. O desaparecimento de Okjökull, no oeste da ilha subártica, está sendo tratada pelas autoridades islandesas e por ativistas do clima como um alerta para os efeitos do aquecimento global.

Foto: Jeremie Richard / AFP

A placa, em islandês e inglês, tem como título "Uma carta para o futuro" e lança uma mensagem que apela ao presente, mas também às próximas gerações. "Ok é a primeira geleira islandesa a perder sua condição. A previsão é que, nos próximos 200 anos, todos as nossas geleiras deverão seguir o mesmo caminho. Este monumento foi instalado para reconhecer que sabemos o que está acontecendo e o que precisa ser feito. Só você sabe se nós fizemos", diz o texto.

Imagens de satélite da geleira Ok em agosto 1986 (esquerda) e em agosto 2019 (direita) - Foto: NASA

De autoria do escritor islandês Andri Snaer Magnason, traz ainda a data, agosto de 2019, e a concentração atual de dióxido de carbono na atmosfera do planeta, em partes por milhão: “415 ppm CO2.”

“Você pensa em uma escala de tempo diferente quando está escrevendo em cobre e não em papel. Você começa a pensar que alguém realmente vai chegar ali em 300 anos e vai ler isso”, disse Magnason em entrevista à emissora britânica BBC. “Este é um grande momento simbólico”, continuou o escritor.

“A mudança climática não tem começo nem fim, e acredito que a filosofia por trás desta placa é colocar um sinal de alerta para nos lembrar de que eventos históricos estão acontecendo, e não devemos normalizá-los. Devemos colocar nossos pés no chão e dizer: ‘okay, isso se foi, isso é importante.'” O projeto foi iniciado por pesquisadores locais e seus colegas da Universidade Rice, nos Estados Unidos.

Os convidados da cerimônia deste domingo incluem a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, o ministro do Meio Ambiente do país, Gudmundur Ingi Gudbrandsson, e a irlandesa Mary Robinson, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

“Este será o primeiro monumento em homenagem a uma geleira perdida para a mudança climática em todo o mundo”, afirmou em julho Cymene Howe, professora da Universidade Rice. Segundo Howe, criar um memorial como esse traz luz ao que está sendo perdido em todo o mundo devido à mudança climática. Ela disse que a cerimônia também visa chamar atenção “para o fato de que isso é algo que os humanos ‘conquistaram’, embora não seja uma coisa de que devemos nos orgulhar”.

Pesquisadores envolvidos acrescentaram que, como o debate sobre o aquecimento global pode ser bastante abstrato com “muitas estatísticas terríveis e modelos científicos sofisticados que podem parecer incompreensíveis”, um monumento a uma geleira desaparecida pode ser a melhor maneira de as pessoas entenderem o que está acontecendo com o planeta.

O funeral científico de Ok pode ser o primeiro de 400, a quantidade de glaciares presentes no país nórdico.

Cientistas alertam que cerca de 400 geleiras na Islândia correm o risco de ter o mesmo destino, e temem que todas elas podem desaparecer até o ano de 2200. O país está perdendo cerca de 11 bilhões de toneladas de gelo por ano. A organização União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) estima que quase metade dos patrimônios mundiais pode perder suas geleiras até 2100 se as emissões de gases do efeito estufa continuarem no ritmo atual.

Fonte: Deutsche Welle / El País
Foto: (1) Jeremie Richard / AFP

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